ESTUDO / ESPÍRITO SANTO

Estudo / Espírito Santo

Marco Antonio Sales

Publicado em 11.11.2003



 Falar ou escrever sobre os dons do Espírito Santo requer sempre muita cautela. Há divergências teológicas sobre o assunto e, em alguns casos, não encontramos com clareza todas as respostas. Erros de interpretação, bem como distorções propositais, infelizmente, são também muito comuns em nossos dias. No entanto, a Bíblia é clara em tratar deste tema, por isso devemos estudar o que ela, como Palavra de Deus, nos revela a respeito. Nossas teorias e posições de nada valem, se não estiverem fundamentadas na única luz capaz de iluminar nosso caminho.

É também importante ressaltar que não podemos extinguir o assunto em poucas palavras. Este estudo não tem, em hipótese alguma, esta pretensão. O propósito é de, de forma sucinta e objetiva, alertar aqueles que crêem, a examinar à luz das Escrituras, tudo o que ouvimos dentro desta tão debatida questão.

O sobrenatural nos fascina. O inexplicável é que há algo que o homem sempre desejou, e isso, tem nos custado caro desde o princípio. Queremos evidências! E, em se tratando dos dons dados pelo Espírito Santo de Deus, é comum vermos pessoas dentro da igreja querendo obtê-los, a fim de “provarem” aquilo que crêem. Nesta busca, muitos têm sido enganados. Erros crassos têm se infiltrado na igreja. Não me refiro às diferenças teológicas que este tópico gera, mas sim aos absurdos, claramente antibíblicos que têm ocorrido.

Dentro da igreja de hoje, praticamente tudo que é sobrenatural (à exceção da expulsão de demônios) é “ação do Espírito”. Jessie Penn Lewis, no livro “Guerra contra os Santos” reconhece algo que, tristemente, tem sido parte do meio evangélico há muito tempo. Ela conclui que “temos a mania de achar que tudo o que é sobrenatural é divino”, com isso, esquecemos que umas das maiores artimanhas de Satanás, nosso inimigo sobrenatural, é o engano, camuflado de divino. Com isso, gritar, cuspir, grunhir, vomitar, etc. são ações que, inacreditavelmente, são atribuídas ao Espírito Santo, afinal “não podemos limitar sua atuação”. Emoções e comportamentos sem nenhuma fundamentação bíblica são tidos, muitas vezes, como novas “unções”, ou “avivamentos”. 

Obviamente não podemos ignorar aquelas “manifestações”, que de manifestações não têm nada, sendo simplesmente ações sugestionadas pela mente humana, tanto inconsciente como conscientemente.

Sem sombra de dúvida, o assunto é delicado. Por isso, antes de adentrarmos mais especificamente o estudo dos dons, creio que algumas definições iniciais são extremamente necessárias. São elas:

 

1) Quem é o Espírito Santo?

2) Qual é o propósito Dele e como Ele age?

3) O que são e quais são os dons do Espírito Santo e o porque deles?

 

 

1) Quem é o Espírito Santo?

 

Esta é uma questão fundamental. Não é possível falarmos com clareza e base bíblica correta sobre os dons do Espírito, se não soubermos antes, quem é este Espírito que concede os dons. Não é incomum encontrarmos pessoas na igreja cristã, referindo-se ao Espírito Santo como sendo uma “força”. E aqui, o “sentir” é muito enfatizado. Expressões como “sentir a presença de Deus” são extremamente perigosas, pois agindo assim, associamos o Deus que deve ser crido, à uma reação humana. Sensações ligadas ao emocional do homem, erroneamente são tidas como presença do poder (ou força) de Deus.

A Bíblia é clara em afirmar que o Espírito Santo é Deus:

E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra”. Gênesis 1:26

Não há um erro gramatical no texto acima, e sim uma ênfase na primeira pessoa do plural “nós”. A Palavra de Deus apresenta ao homem algo que não é compreensível no nível humano. A Trindade (um Deus único que é, ao mesmo tempo, três).

“Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um”. 1 João 5: 6 e 7.

Conquanto estudiosos têm tentado explicar esta verdade bíblica durante a história, o fato é que nós não sabemos como isso pode ser. Devemos simplesmente crer.

Quando o Deus trino usou, no versículo 26 de Gênesis 1, a pessoa “nós”, entendemos que o Espírito Santo estava na criação, sendo portanto uma pessoa. Jó afirmou isso ao dizer:

 “O Espírito de Deus me fez; e a inspiração do Todo-Poderoso me deu vida”. Jó 33:4

A pessoa (e não a força) do Espírito de Deus, ou o Espírito Santo estava na criação. Há vários textos bíblicos que atribuem reações pessoais ao Espírito Santo, mostrando-nos que Ele é alguém, e não algo. No livro de Atos, há o relato de Ananias e Safira, que ao mentirem aos apóstolos, sobre o preço da propriedade que haviam vendido, foram severamente punidos:

“Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus”. Atos 5: 3 e 4

Não podemos mentir para algo, pois esta é uma atitude que envolve pessoas. Pedro repreendeu aquele casal dizendo que eles haviam mentido à pessoa do Espírito Santo, que segundo ele, é Deus.

Uma “força” não possui reações pessoais, como a tristeza, ou a alegria, por exemplo:

“E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção”. Efésios 4:30

Não podemos ser consolados e ensinados por algo, mas sim por alguém:

“Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito”. João 14:26

Portanto, O Espírito Santo é uma das pessoas do Deus trino, com o qual aquele que nasce de novo pode desenvolver um relacionamento.

O segundo ponto importante é:

 

2) Qual é o propósito Dele e como Ele age?

 

Apesar de não haver divisão entre as 3 pessoas da trindade divina, a Palavra de Deus mostra este Deus agindo “de modo separado” em 3 fases na história da humanidade. O Deus Pai, esteve mais diretamente em ação no período do Velho Testamento; Jesus Cristo, o Deus encarnado atuou durante o período que esteve sobre a terra; e o Deus Espírito Santo se manifesta em nossos dias, habitando aqueles que receberam a Cristo como Seu Senhor.

Um fato, porém, é evidente. O Deus Pai e o Deus Espírito Santo dão ênfase à manifestação no Deus filho. Vemos o Deus Pai, desde o princípio, revelando ao homem Seu filho Jesus:

 “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e o Seu descendente (Cristo), Este te ferirá a cabeça, mas tu lhe ferirás o calcanhar”. Gênesis 3:15

O Velho Testamento, através de todos os profetas que Deus instituiu, aponta para Cristo, Sua vida, morte e ressurreição.

Jesus, quando esteve na terra, afirmou que também o Espírito Santo que estava por vir, iria enfocar Seu ministério Ele:

“Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei. E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo”. João 16: 7 e 8

“Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar”. João 16: 13 e 14

Se pudéssemos resumir a Palavra de Deus, diríamos que o Velho Testamento nos diz que Cristo viria, o Novo Testamento apresenta porque Ele veio.

Mas, como O Espírito Santo atua? Para que uma pessoa nasça de novo é necessário que ela reconheça sua natureza de pecado e que é, por isso, uma pecadora. Feito isso, ela recebe, pela fé o sacrifício gratuito de Jesus Cristo, realizado na cruz do calvário, em Sua morte e ressurreição. Crendo em sua morte e ressurreição com Cristo ela é uma nova criatura. Isso, todavia, deve ser revelado pelo Espírito Santo. Sua atuação está focada em seu propósito que é:

“E, quando ele (o Espírito Santo) vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo”. João 16: 8

O Espírito Santo tem como principal atuação convencer o homem de sua natureza pecadora, da justiça (que é a punição que merecemos por causa deste pecado, paga através de Cristo) e do juízo (o julgamento entre os que crêem e aqueles que rejeitam).

A partir do momento em que uma pessoa crê, O Espírito Santo passa a habitar nela, dirigindo sua vida em conformidade com a vida de Cristo. Por isso, os cristãos são chamados a serem cheios do Espírito. Há o convite para que andemos em Espírito, e que apresentemos, também, os frutos do Espírito. O objetivo da pessoa do Espírito Santo é, portanto, nos moldar Cristo.

Quando há esta intimidade com o Espírito Santo, há intimidade com Cristo. Os apóstolos sabiam o que era isso, a ponto de serem direcionados em todo o tempo por Ele:

“E disse o Espírito a Filipe: Chega-te, e ajunta-te a esse carro”.  Atos 8:29

 “E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado”. Atos 13:2

Revelar Cristo em nós. Este é o propósito principal do Espírito Santo.

 

(Continua...)

 

 


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