ESTUDO / IGREJA

Estudo / Igreja

Marco Antonio Sales

Publicado em 16.12.2005



Será que a Igreja de Cristo está unida? Em uma pesquisa sobre o que a Palavra de Deus fala sobre unidade, tenho chegado à conclusão que a resposta é, infelizmente, não. A unidade afirmada nas Escrituras parece estar longe de nossa realidade. Na busca dos textos e comentários bíblicos sobre o assunto, encontrei este de um dos maiores teólogos de nosso tempo, mr. John W Stott.

 

O comentário se refere à passagem de 1 Coríntios 1: 10-13, onde o apóstolo Paulo exorta a igreja de Corinto contra as divisões que estavam ocorrendo:  "Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis a todos a mesma cousa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer. Pois a vosso respeito, meus irmãos, fui informado, pelos da casa de Cloe, de que há contendas entre vós. Refiro-me ao fato de cada um de vós dizer: Eu sou de Paulo, e eu, de Apolo, e eu, de Cefas, e eu, de Cristo. Acaso, Cristo está dividido? Foi Paulo crucificado em favor de vós ou fostes, porventura, batizados em nom de Paulo?”. 1 Coríntios 1: 12-13.

 

Sobre estas divisões Stott escreve: “Tudo indica que Paulo considerou esta notícia (a da divisão na igreja de Corinto) extremamente dolorosa. Ele sabia o suficiente acerca das realidades da vida da igreja para não se surpreender. Mas, ao mesmo tempo, ficou profundamente ressentido. Isso se verifica pela dupla ocorrência da palavra irmãos, nos versículos 10 e 11”.

 

É interessante ver que o mesmo sentimento de Paulo ao saber das divisões em Corinto, é também expresso na oração de nosso Senhor Jesus pedindo ao Pai que não permitisse esta divisão entre nós, os crentes: “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em Mim, por intermédio da Sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em Mim e Eu em Ti, também sejam eles em Nós; para que o mundo creia que Tu me enviaste”. João 17:20-21. Diante disso creio não haver dúvida de que, ao contrário de consideramos “normais” as divisões entre os crentes em Cristo, nosso sentimento deveria ser de perplexidade e de dor. Conquanto a unidade seja realmente difícil, pois envolve, antes de tudo a humildade de admitirmos que podemos estar errados, ela deve ser sempre prioridade para a Igreja, pois como se não bastasse ser esta a vontade expressa de Deus, e uma condição para o avanço do evangelho, as conseqüências das separações são sempre dolorosas.

 

Stott continua sua análise da igreja de Corinto: “É evidente que estavam surgindo cultos às personalidades, centralizados em três figuras importantes da igreja primitiva. Tais cultos certamente não contavam com o apoio de Paulo, Apolo ou Cefas (Pedro)... Seja qual for a causa dessas divisões que estavam se desenvolvendo, a situação provocou rivalidade... Todos os cristãos apegam-se a aspectos diferentes da verdade, em diferentes ocasiões, gerando determinadas ênfases. É inevitável que tal seleção afaste o foco dos outros aspectos da verdade, para se concentrar em uma ou duas questões específicas. Isso é permissível, se não necessário, contanto que se reconheça que está havendo uma seletividade. Quando um cristão ou um grupo de cristãos fica totalmente absorvido por um aspecto da verdade, negligenciando, excluindo ou até mesmo negando o todo da verdade que está em Jesus, então atinge-se o ponto crítico. Neste momento a seletividade se transforma em heresia”.

 

Qualquer semelhança com a igreja de hoje NÃO É pura coincidência. A divisão é algo que, como Igreja, devemos evitar. A unidade do corpo de Cristo é primordial para que o mundo seja impactado. Que os líderes da igreja de hoje possam entender isso!


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